Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal
“O movimento das Mutualidades
merece a nossa Gratidão por tanto bem fazer
em tantas instituições espalhadas por Portugal.”
Ao longo deste ano de 2025, tenho refletido, escrito e debatido em diferentes fóruns o conceito do Bem Comum. Por estranho que possa parecer, e apesar destas duas palavras serem bastante explícitas no seu significado, pouco se fala do valor, da necessidade e da elevação que o Bem Comum pode e deve trazer à vida de todos nós.
Desde os meus tempos de juventude, sempre me senti atraído pela possibilidade de contribuir, de fazer acontecer à minha volta o Bem. Não centrado em mim, mas sim nos outros.
Mais tarde, já ordenado sacerdote, este Bem Comum ganhou uma identidade própria e conforta-me pensar que os primeiros cristãos viviam em comunidades, partilhando tudo o que tinham e cuidando uns dos outros, fazendo acontecer o Bem Comum de uma forma espontânea, generosa e com sentido. Por estas e muitas outras razões, procurei sempre acompanhar as mais diversas instituições que prosseguem o seu caminho de fazer o Bem ao próximo.
É assim que entendo o trabalho dos Bombeiros, das Misericórdias e, naturalmente, das Mutualidades Portuguesas. Confesso que desconhecia a antiguidade das Mutualidades. Só sublinhava as penta seculares Misericórdias. A minha singela homenagem a tantos séculos em que homens e mulheres de boa vontade articulam o “socorro mútuo”. O movimento das Mutualidades merece a nossa gratidão por tanto bem fazer em tantas instituições espalhadas por Portugal.
A vida das sociedades está marcada por vidas que impulsionam o Bem, que nos mostram caminhos novos. Vejo com alguma inquietação que se perde esta consciência coletiva de que todos viveremos mais e melhor se quisermos, de forma ativa e consequente, cuidar do próximo.
Se colocarmos o Bem Comum como uma prioridade na vida das famílias, das empresas, das coletividades, no trabalho político, económico e social, no país que somos, basta olhar para a nossa história e perceber o impacto que teve a Rainha D. Leonor na história da saúde em Portugal.
No século passado, outra mulher colocou os mais pobres dos pobres no centro do conceito do Bem Comum: Santa Teresa de Calcutá, a Mãe dos Pobres, intuiu a urgência de cuidar de quem morria nas ruas de Calcutá. Alguém podia imaginar que as Missionárias da Caridade estão hoje presentes em mais de 130 países? Sempre nos lugares mais pobres de cada cidade.
“Descentrarmo-nos de nós próprios e deixarmos que o Bem Comum invada o nosso coração e o nosso pensamento é urgente e necessário.”




