Pedro Barbosa, Atuário Titular pelo Instituto dos Atuários Portugueses, Atuário Certificado pela ASF para fundos de Pensões
“É vital reflectir e debater sobre o futuro das modalidades mutualistas, incluindo a gestão,
o público-alvo, e a sustentabilidade a longo prazo.”
Na actual era de evolução acelerada e mudança constante, o mutualismo, um pilar fundamental da nossa sociedade, está confrontado com a inevitável necessidade de se adaptar e evoluir.
Vivemos num mundo crescentemente interconectado, onde os desafios se globalizam e as soluções precisam ser criativas e abrangentes. Diante deste cenário, é vital reflectir e debater sobre o futuro das modalidades mutualistas, incluindo a gestão, o público-alvo e a sustentabilidade a longo prazo.
As recentes dinâmicas intergeracionais e eventos extremos, como a pandemia da COVID-19, deixaram a descoberto as vulnerabilidades das nossas estruturas actuais, ressaltando a urgência de pensamento proactivo e inovação.
A modalidade de funeral, como exemplo, enfrenta impactos significativos em decorrência da elevada faixa etária média dos seus participantes. As mudanças sociais relacionadas à percepção sobre a morte têm levado a uma adesão reduzida entre as gerações mais jovens, diminuindo a partilha de risco intergeracional. Eventos extremos recentes intensificaram essa situação, questionando a sustentabilidade deste modelo.
É crucial adoptar uma abordagem unificada e estratégica para analisar e remodelar esta modalidade. Propomos a criação de um grupo de trabalho colaborativo com o Ministério do Trabalho e da Segurança Social, objectivando a análise técnica e transversal da modalidade de funeral dentro do movimento mutualista. O objectivo é superar respostas isoladas à insustentabilidade e desenvolver soluções estratégicas de longo prazo.
Em relação às modalidades de capitalização, muitas associações mutualistas enfrentam limitações financeiras que comprometem sua gestão, em comparação às seguradoras.
“Esta é uma jornada que devemos empreender colectivamente, certificando-nos de que o mutualismo permanece como um motor para uma sociedade cada vez mais inclusiva e solidária.”
Uma possível solução seria centralizar esta gestão na União das Mutualidades Portuguesas ou numa associação com capacidade reconhecida, garantindo estabilidade e eficiência ao sistema.
Embora enfrentem desafios, as associações mutualistas possuem um papel relevante no presente e promissor para o futuro. Com foco na economia local, é imperativo que busquem maneiras inovadoras e inclusivas para atender às necessidades das comunidades nas quais estão inseridas, garantindo sua relevância no mundo contemporâneo.
Nos deparamos, portanto, com um desafio fundamental: repensar e reformular as modalidades existentes, assegurando sua sustentabilidade e adaptabilidade, enquanto se desenvolvem novas modalidades mutualistas que correspondam aos desafios e oportunidades da sociedade actual.
As associações mutualistas têm a capacidade e a responsabilidade de desempenhar um papel significativo na nossa sociedade, mas devem alinhar suas práticas e abordagens com as necessidades emergentes e as dinâmicas em constante transformação.
Em síntese, o mutualismo necessita de inovação, reformulação de estratégias e modalidades, e uma acção decidida para assegurar sua sustentabilidade e relevância no mundo contemporâneo. Esta é uma jornada que devemos empreender colectivamente, certificando-nos de que o mutualismo permanece como um motor para uma sociedade cada vez mais inclusiva e solidária. Como actuário, estou comprometido.




