A União das Mutualidades Portuguesas (UMP) participou, no dia 16 de setembro, no Primeiro Simpósio Internacional sobre o papel do terceiro setor na proteção social e assistência médica, que se realizou em Marrocos. Para o presidente do Conselho de Administração da UMP, estes encontros revestem-se de grande importância ao permitir o intercâmbio de experiências e conhecimentos.
Durante a sua intervenção no painel denominado “Experiência europeia em matéria de pagamento de terceiros”, Luís Alberto Silva suscitou a reflexão sobre o importante papel do Mutualismo no acesso à proteção social e à saúde das pessoas.
Fazendo uma síntese da história do Mutualismo em Portugal, que conta já com 719 anos, o presidente da UMP lembrou as relações entre o mundo associativo sem fins lucrativos e o Estado-providência. “Há muito se concluiu que, em diversos países, as políticas públicas de segurança social, educação e saúde foram muito estimuladas por iniciativas de organizações associativas em benefício de grupos sociais particulares, reunidos sobre uma base profissional ou territorial – é o caso do mutualismo”, explicou.
Para Luís Alberto Silva, “o mutualismo marca uma doutrina/filosofia própria, imprimindo, na sua matriz, uma perspetiva sobre modelos de sociedade, nas componentes económica, social e política”. É, por isso, fundamental consolidar a ideia de que a participação e corresponsabilização de todos os cidadãos são vitais para o reforço e sustentação da democracia.
“No nosso entender, o Movimento Mutualista assume-se hoje, quer em Portugal, quer por toda a Europa, como o novo caminho da proteção social para os próximos tempos, sendo um parceiro fundamental no processo de reforma dos sistemas de segurança social e de saúde. A União das Mutualidades Portuguesas tem persistentemente insistido no acesso a atividades económicas, que garantam a sustentabilidade e a autonomia financeira das Mutualidades, sendo exemplo disso, as caixas económicas, as farmácias sociais, as secções de funeral, de turismo, a agricultura, entre outras”, referiu.
Mutualismo português expande-se além-fronteiras
Luís Alberto Silva lembrou, também, que para a UMP promover defesa, desenvolvimento, cultura e práticas da solidariedade mutualista, bem como assegurar o desenvolvimento e representação das Mutualidades Portuguesas no território nacional e internacional, necessita que os Estados olhem para este setor como parceiros.
“É essencial que privilegiem as políticas de proximidade e de parceria e que procurem assegurar as condições de sustentabilidade das instituições”, concluiu.
Durante este encontro foi também assinado um protocolo de cooperação entre a União das Mutualidades Portuguesas e a Mutuelle Générale du Personnel des Administrations Publiques du Maroc (MGPAP), com o intuito de promover uma parceria baseada na cooperação mútua, em todos os assuntos que possam servir interesses comuns.
O simpósio foi organizado pela Mutuelle Générale du Personnel des Administrations Publiques du Maroc (MGPAP), em colaboração com o Ministério da Saúde e outras organizações públicas e privadas, e contou com a participação de várias organizações de cúpula de âmbito internacional.