Como a imigração impacta o quotidiano das instituições sociais?

O fenómeno da imigração impacta significativamente a vida das instituições sociais. O acolhimento e a integração dos imigrantes e dos seus filhos que aqui nascem e residem são desafios que já se colocam a muitas associações mutualistas no terreno, seja por causa do acesso a cuidados de saúde, inserção profissional, qualificação, aprendizagem da Língua Portuguesa e cuidado e educação dos filhos. Maria João Cardoso, técnica d’A Mutualidade de Santa Maria, apresentou a experiência desta associação mutualista do norte do distrito de Aveiro, na Conferência Desafios e Soluções para a Proteção Social do Futuro, que a União das Mutualidades Portuguesas, UMP, organizou no último sábado, em Freamunde, numa parceria com a Associação de Socorros Mútuos Freamundense, que acaba de celebrar os seus 134 anos de história.

Implicada na atividade do Centro Qualifica e do Gabinete de Ação Social d’A Mutualidade de Santa Maria, Maria João Cardoso, apresentou a experiência e as necessárias adaptações que a instituição teve que introduzir no seu funcionamento e na relação com os seus utentes, face à avalancha de cidadãos imigrantes que têm chegado àquela região.

Os cursos de Língua Portuguesa não materna têm-se revelado insuficientes para dar resposta ao número de imigrantes que cada vez mais procuram a instituição. E procuram-na não apenas com o objetivo de uma rápida aprendizagem da língua, mas também na busca de ajuda nos processos de regularização junto dos serviços públicos. Explicou que a experiência diária com imigrantes obrigou a instituição a traduzir os seus documentos e fichas de informação em vários idiomas. “É a nossa forma de lhes dizer que são bem-vindos”, disse, realçando a importância de quem está do lado de dentro da instituição em perceber a experiência destes “novos cidadãos” e as suas necessidades.

“Nada sobre nós, sem nós”, uma máxima que Maria João Cardoso considera fundamental nesta relação. Daí que A Mutualidade de Santa Maria tenha procurado conhecer práticas em outros territórios europeus a braços com a chegada de muitos imigrantes. Nomeadamente em Itália, onde desenvolve um projeto de intercâmbio europeu com uma organização com vasta experiência neste âmbito. E desses contactos e partilhas, resultou desde já a definição de alguns planos no sentido de criar recursos para os imigrantes, mas também para os profissionais dos recursos humanos das empresas, das autarquias, dos serviços de saúde e das IPSS que também como eles se relacionam.

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