
Na intervenção de encerramento da cerimónia, o Presidente da União das Mutualidades Portuguesas, Luís Alberto Silva, traçou uma visão histórica, social e estratégica do movimento mutualista português, evocando as origens do mutualismo em Fungalvaz, Torres Novas, em maio de 1176.
“Celebrar hoje 850 anos de mutualismo não é apenas celebrar uma data. É celebrar uma ideia extraordinariamente moderna: a ideia de que ninguém deve enfrentar sozinho os momentos mais difíceis da vida”, afirmou.
O presidente da UMP destacou o papel das mutualidades ao longo da história portuguesa, recordando que o mutualismo esteve presente “na doença, na infância, na velhice, na pobreza, no desemprego, na exclusão e na solidão”.
“850 anos depois, o mutualismo continua muitas vezes a chegar onde ninguém chega”, sublinhou.
Luís Alberto Silva valorizou também o recente acordo de cooperação entre o Estado e o setor social, considerando-o “um dos acordos mais justos e estruturantes das últimas décadas”, por introduzir maior previsibilidade no financiamento das respostas sociais.
Ao mesmo tempo, alertou para a necessidade urgente de revisão do Código das Associações Mutualistas, defendendo maior respeito pela autonomia associativa e pela natureza privada das mutualidades.
“O que defendemos é simples: respeito pela autonomia associativa, respeito pela natureza privada das mutualidades e respeito pela vontade democrática dos associados”, afirmou.
O dirigente mutualista apelou ainda ao reforço do papel das mutualidades na área da saúde e à revisão do regime das farmácias sociais, defendendo que a assistência medicamentosa deve ser encarada como uma missão social de proximidade e solidariedade.
Numa mensagem dirigida às próprias mutualidades, lançou também um desafio de modernização e renovação estratégica do setor.
“Os próximos anos exigirão mais mutualismo. Mais proximidade. Mais proteção social, cooperação e comunidade”, declarou.