
O Presidente da União das Mutualidades Portuguesas (UMP) e Vice-Presidente da União Mundial das Mutualidades (UMM), Luís Alberto Silva, participou esta semana no XIII Foro Internacional de Mutualismo, que decorreu na Universidad Católica Luis Amigó, em Medellín, na Colômbia, onde sublinhou o papel determinante do mutualismo na construção de respostas sociais mais justas, humanas e eficazes à escala global.
Na sessão de abertura do encontro, promovido pela ODEMA, Conamutual e Federation de Mutuales de Antioquia, e em que participaram também Moulay Brahim El Atmani, Presidente da UMM e da União Africana de Mutualidades; e Andrés Róman, Presidente da ODEMA e Vice-Presidente da UMM, o dirigente português destacou a universalidade do modelo mutualista, assente na solidariedade e na entreajuda, afirmando que este “funciona em qualquer parte do mundo porque é feito por pessoas, para pessoas”.
Num contexto internacional marcado por instabilidade geopolítica, tensões económicas e desafios sociais crescentes, Luís Alberto Silva alertou para a pressão sobre os sistemas públicos de proteção social, defendendo que o mutualismo continua a demonstrar uma elevada capacidade de adaptação e resiliência. “Chega onde os Estados não conseguem chegar. E essa continua a ser a sua grande força”, afirmou.
O Presidente da UMP defendeu ainda que o setor deve assumir uma nova ambição, incorporando a inovação e a transformação digital como instrumentos essenciais para reforçar a sua intervenção, melhorar a relação com os associados e ampliar o acesso a serviços de saúde e proteção social.
Na sua intervenção dedicada ao tema da transformação digital, Luís Alberto Silva destacou que o mutualismo é uma resposta moderna a riscos cada vez mais complexos e globais, sublinhando a importância de equilibrar o papel do Estado, o dinamismo económico e a força da solidariedade organizada.
O responsável destacou também o alcance global do mutualismo, referindo que mais de 230 milhões de europeus beneficiam diretamente dos seus serviços, especialmente nas áreas da saúde, proteção social e seguros, e sublinhou a importância histórica e atual do setor em Portugal, onde se assinalam 850 anos de presença mutualista.
Um dos pontos centrais da sua intervenção incidiu sobre o papel da liderança no futuro do setor. Para Luís Alberto Silva, os dirigentes mutualistas devem assumir uma visão estratégica, capaz de antecipar riscos, identificar oportunidades e posicionar o mutualismo no espaço público e institucional. “Quem apenas gere o presente, compromete o futuro”, afirmou.
Defendeu ainda a necessidade de investir na formação de novos líderes, atrair novas gerações e reforçar a capacitação do setor, bem como aprofundar a relação com os poderes públicos, que devem reconhecer as mutualidades como parceiras estratégicas na implementação de políticas de coesão social.
No domínio da transformação digital, deixou um alerta claro: a tecnologia deve ser colocada ao serviço da solidariedade, sem desumanizar a ação mutualista. Paralelamente, apontou como desafio estratégico a criação de redes mutualistas internacionais mais integradas, capazes de acompanhar a crescente mobilidade das pessoas e garantir respostas globais de proteção social.
A encerrar, o Presidente da UMP apelou à ação concreta por parte dos participantes no Fórum: “Temos história, temos valores e temos presença global. Agora, temos de ter ambição para inovar, cooperar e transformar a vida das pessoas”.