O que estamos a comemorar?

As associações de socorros mútuos afirmaram-se em Portugal no século XIX, acompanhando as transformações económicas e sociais trazidas pela industrialização. No entanto, as raízes do mutualismo português são muito mais profundas no tempo.
Muito antes da emergência das associações mutualistas modernas, comunidades locais organizavam-se para enfrentar coletivamente as adversidades da vida. Na doença, na incapacidade ou na perda de meios de subsistência, surgiram formas estruturas de entreajuda que deram origem a confrarias e irmandades baseadas na solidariedade recíproca entre os seus membros.
A historiografia identifica já no século XII, em pleno reinado de Afonso Henriques, algumas destas organizações. Entre elas destaca-se a Confraria de Fungalvaz, no concelho de Torres Novas, cujo compromisso remonta a 1176, constituindo um dos mais antigos testemunhos documentais de solidariedade organizada em Portugal.
É nesta tradição histórica de entreajuda que se encontram as raízes do movimento mutualista, assente na participação, na corresponsabilidade e na solidariedade entre pessoas que se unem para se protegerem mutuamente.
Celebrar 850 anos de mutualismo em Portugal é reconhecer uma das mais duradouras tradições de solidariedade da sociedade portuguesa e reafirmar a sua relevância na construção de respostas sociais, de previdência e saúde para o presente e para o futuro.
Mutualismo: há 850 anos a cuidar e proteger pessoas. A construir o futuro.