Sessão evocativa de 29 de maio destaca o legado do mutualismo

Muito antes de existirem sistemas públicos de proteção social, as pessoas organizavam-se mutuamente para apoiar quem adoecia, quem perdia os seus meios de subsistência ou quem enfrentava momentos de maior vulnerabilidade. Dessa necessidade de entreajuda nasceram as primeiras confrarias e irmandades baseadas na solidariedade entre os seus membros.
A historiografia identifica já no século XII alguns dos primeiros exemplos desta solidariedade recíproca organizada, como a Confraria de Fungalvaz, em Torres Novas, cujo compromisso remonta a 1176, em pleno reinado de Afonso Henriques.
Das confrarias e irmandades, aos montepios e associações de socorros mútuos, até às associações mutualistas modernas, o mutualismo tem um legado de intervenção social de 850 anos. Deste movimento social, germinaram as cooperativas, as associações de cultura e recreio e os sindicatos. Foi nos seus princípios que se inspiraram as políticas públicas de previdência social. influenciando decisivamente o nosso modelo de Estado Social e da nossa Segurança Social. E foi pela ação a influência do movimento mutualista que, em 1916, foi criado o Ministério do Trabalho e da Providência Social na orgânica do Governo de Portugal.
O mutualismo orgulha-se da sua história e do que representa na sociedade portuguesa do século XXI e é esse legado que a União das Mutualidades se propõe celebrar na sessão evocativa dos 850 anos de mutualismo em Portugal, no dia 29 de maio, no Hotel Solverde, em Vila Nova de Gaia. Um dos momentos marcantes, previsto para a parte da manhã, reúne investigadores e personalidades do mutualismo para falar da história, do património de intervenção social e dos horizontes deste movimento social.