Como foi início do novo ano letivo nos centros infantis das AMs

Com ou sem pandemia a moldar as nossas vidas, setembro marca o início do ano letivo, desde o pré-escolar ao ensino superior. E este hábito não é exceção nas creches e jardins de infância das Associações Mutualistas e da própria União das Mutualidades Portuguesas.

No Centro Infantil Dr. António da Costa Leal (CIDACL), o regresso fez-se com nostalgia e expectativa, até porque, como Sara Ferreira, diretora-técnica da creche localizada na freguesia de Santa Clara, em Lisboa, explica, “nestas idades [entre os quatro e os 36 meses], basta um período de um mês ou 15 dias” para que “alguns progressos a nível do crescimento e das aprendizagens” sejam notórios. Contudo, no que diz respeito às crianças que chegam pela primeira vez ao equipamento, “é um período de muito choro”, o que poderá estar relacionado com o confinamento e o impacto da crise pandémica, reflete Sara Ferreira. “As crianças, que estiveram bastante tempo em casa e apenas com os familiares, são agora aqui expostas a um contexto completamente diferente, com rotinas diferentes, com pessoas diferentes, com muitas crianças também a chorar e instáveis emocionalmente e tudo isto faz com que o processo seja um bocadinho mais difícil para essas crianças que vêm pela primeira vez”, declara.

Para alguns pais, nomeadamente os que vivem esta experiência pela primeira vez, o momento não é menos custoso. “Isto traz-lhes uma ansiedade e receio muito significativos”, nota a diretora-técnica, explicando que a equipa de técnicas se apercebe que as famílias “começam a ressentir-se, por causa das medidas e procedimentos inerentes à prevenção da pandemia, principalmente da questão de não entrarem ainda nas instalações e entregarem as crianças à porta”.

De forma a tentar solucioná-lo, o CIDACL organizou as habituais reuniões com os encarregados de educação no exterior, com o distanciamento indicado pelas autoridades de saúde entre as cadeiras e permitindo apenas um familiar por criança, depois de uma apresentação das instalações, já decoradas e equipadas com todos os brinquedos. “Notamos que eles [os pais] têm adorado esses momentos, porque, embora seja do lado exterior e não seja a mesma coisa, acabam por ficar ali imenso tempo, a tirar fotografias. É um conforto para eles. Não resolve, mas foi uma forma que encontramos para tentar atenuar um bocadinho [as preocupações dos pais]”, repara Sara Ferreira.

Já na creche da Associação de Socorros Mútuos Freamundense, os familiares terão sentido uma menor diferença aquando das restrições e adaptações fruto da pandemia. Como explica a Presidente da instituição, Armanda Fernandez, anteriormente, era já norma da escola não permitir a entrada dos pais nas salas, tal como é recomendado pela Direção-Geral da Saúde (DGS). “O acompanhamento dos pais às salas não fazemos. Aliás, já é uma norma da escola há muito tempo, por todas as razões e mais algumas – mas em especial para que não haja muita circulação – e, agora, com esta situação, não permitimos”, avança, acrescentando que, mesmo a reunião anual que normalmente organizam com todos os pais, não estão a fazer em conjunto: “estamos a fazer sala por sala para que possamos distanciar os pais e termos todos os cuidados com as normas de saúde”.

Assim, torna-se claro para Armanda Fernandez que a fase de insegurança, por parte dos encarregados de educação, face à entrega dos filhos na instituição foi já colocada atrás das costas. “Acho que essa fase já passou, já está ultrapassada. Há um pai ou outro que tem mais reservas e que nos faz logo algumas questões, mas nada de transcendente”, clarifica.

Esta maior confiança por parte dos familiares é possível pelo cumprimento das normas indicadas pelas autoridades de saúde, como a constante limpeza e desinfeção dos materiais, horários de entrada desfasados e, no caso da valência da Associação de Socorros Mútuos Freamundense, a solicitação da dispensa de uma muda de roupa e calçado extra, que fica sempre na escola “para que não haja a entrega das coisas e andem de lado para lado”, refere a Presidente. Quanto à máscara, esta mantém-se obrigatória, o que, segundo alguns especialistas, poderia dificultar a adaptação à creche. Todavia, Sara Ferreira diz não ter “essa perceção”. “Até porque, por vezes, quando as colegas conseguem manter o distanciamento com as crianças, acabam por baixar, por breves instantes, a máscara, para que elas vão vendo a cara delas”, esclarece. Além disso, recorda que as crianças “acabaram por se adaptar a este contexto pandémico e já estão habituadas a ver a figura adulta de máscara”.

Talvez por esse hábito e adaptação ao atual contexto, o número de inscrições voltou aos níveis pré-pandemia. Depois de uma quebra na procura no ano letivo anterior, o CIDACL tem já as 67 vagas comparticipadas pela Segurança Social ocupadas, assim como algumas a nível privativo. Também em Freamunde não houve um menor número de vagas preenchidas relativamente a anos anteriores. Deste modo, à data da entrevista a Armanda Fernandez, havia já 129 inscritos, dada a dimensão do espaço, que permite o distancimento entre as crianças.

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