Há muito se pensava que a origem do movimento mutualista remontava a 1297, mas, numa investigação coordenada por Joana Dias Pereira, que ganhou forma no livro editado pela UMP “Origens do Mutualismo em Portugal”, surgiu uma data, mais longínqua, acreditando-se que 1176 seja o seu real ponto de partida.
Esta nova premissa tem por base a ideia de que “o movimento mutualista se filia diretamente no movimento confraternal, nas antigas irmandades e confrarias” e cuja transição entre esse modelo e o associativismo moderno, como hoje o conhecemos, “já fruto de um novo período, uma nova conjuntura política e um novo regime económico depois das revoluções liberais europeias” foi aprofundado, explicou Joana Dias Pereira, durante a tertúlia História e Origens do Mutualismo em Portugal que integrou a XIII edição do Congresso Nacional do Mutualismo.
“É consensual que é um modelo muito resiliente e tem tido uma grande capacidade de adaptação institucional ao longo dos séculos, atravessando vários regimes económicos, várias formas de organização social e várias conjunturas políticas”, sublinha a investigadora da Universidade Nova de Lisboa.
A transformação do mutualismo deu-se também de forma a aproximar mulheres e homens no que a direitos diz respeito. Como a autora salienta, “o movimento mutualista, em relação às antigas associações de origem medieval, marca uma rutura progressiva com a integração das mulheres. Progressiva porque, num primeiro momento as mulheres eram integradas, mas não podiam participar nas assembleias gerais ou não tinham acesso aos órgãos de direção”.
Esta ideia é reiterada por Virgínia Baptista, investigadora no campo do feminismo no seio do movimento, que repara que, no final do século XIX, calculava-se existirem 392 associações mutualistas em Portugal, das quais apenas 20% eram mulheres. Um valor que cresceu ao longo da história do mutualismo.




