O antigo ministro das Finanças, Bagão Félix, que também exerceu funções governativas na área da Segurança Social, foi o convidado da VII Reunião Anual de Presidentes Mutualistas para abordar a complementaridade mutualista no futuro sistema de pensões. Um tema que captou a atenção dos presidentes e dirigentes mutualistas, tendo em conta que a previdência social é um dos fins fundamentais das mutualidades.
O sistema público de pensões dificilmente conseguirá garantir, nos moldes e valores das prestações atuais, soluções sustentáveis para as crianças e os jovens de hoje. Embora a “almofada” de 30 mil milhões de euros da Segurança Social assegure o pagamento de dois anos de pensões, Bagão Félix estima que a evolução da pirâmide etária e da economia obrigará o Estado a recorrer a esse fundo já na década de 2040.
Bagão Félix defende que o sistema de pensões deve manter o seu “alicerce público”, mas, “pela seriedade”, é necessário reconhecer que o valor das pensões tenderá a diminuir em relação aos salários. Nesse contexto, considera prudente acautelar o futuro através da poupança individual, que assegure um complemento à reforma. Numa sociedade que “vive muito para o dia seguinte”, o antigo ministro destaca a urgência de “pensar formas de poupar e pensar o futuro”, especialmente para as gerações mais jovens.
Diante deste cenário, Bagão Félix acredita que o movimento mutualista tem um papel acrescido, embora precise de “atuar de forma mais agressiva” perante a concorrência do setor privado lucrativo, que opera com maior escala, massa crítica e sofisticação de gestão.
Para o ex-ministro, as associações mutualistas devem procurar caminhos “menos sujeitos à concorrência”, valorizando os princípios da proximidade e capilaridade, oferecendo soluções mais atraentes para os jovens. Na sua visão, as ofertas mutualistas devem focar-se menos em produtos ligados à morte e à sobrevivência e mais em áreas como a velhice, a dependência e o desemprego de longa duração.
As estatísticas revelam que, aos 65 anos, a esperança média de vida ronda os 20 anos, mas o período vivido com boa saúde é de apenas 8,4 anos, razões que desafiam o movimento mutualista a inovar e a reposicionar-se no terreno da proteção social complementar.




