XV ENDM destaca cooperação e inovação como caminhos para o futuro do mutualismo

Dirigentes mutualistas reuniram-se em Coimbra para partilhar projetos, refletir sobre novos desafios e identificar oportunidades de cooperação, num ano em que se assinalam 850 anos de mutualismo em Portugal.

Investir em novas respostas, inovar na forma de trabalhar e reforçar a cooperação entre instituições foram algumas das ideias centrais do XV Encontro Nacional de Dirigentes Mutualistas (ENDM), promovido pela União das Mutualidades Portuguesas (UMP), sob o tema «Investir e Inovar: Projetos que Transformam o Mutualismo». A iniciativa decorreu na Casa da Mutualidade, em Coimbra, e reuniu dirigentes e representantes de associações mutualistas de diferentes regiões do país.

Num ano particularmente simbólico, em que se celebram os 850 anos do mutualismo em Portugal, o encontro proporcionou um espaço de reflexão sobre a capacidade do movimento para responder às necessidades atuais das comunidades, partilhar experiências e transformar desafios em oportunidades de desenvolvimento.

Antecedida por um momento protocolar de descerramento de uma placa da UMP na entrada da Casa da Mutualidade, que simboliza a pertença ao movimento e o compromisso com a cooperação e a solidariedade, a sessão de boas-vindas contou com as intervenções de António Martins de Oliveira, presidente do Conselho de Administração da A Previdência Portuguesa, instituição anfitriã; Luís Alberto Silva, presidente do Conselho de Administração da UMP; e Ana Abrunhosa, presidente da Câmara Municipal de Coimbra.

Luís Alberto Silva sublinhou que o encontro representa uma oportunidade para as associações aprenderem umas com as outras e encontrarem inspiração em experiências concretas. Na sua intervenção, defendeu também a necessidade de investir na capacitação, na modernização e na criação de novas respostas, sem perder de vista a missão social do mutualismo.

«Uma boa ideia, quando partilhada, deixa de pertencer apenas a quem a teve e passa a poder servir todo o movimento», salientou o presidente da UMP, que destacou ainda a resiliência como uma condição essencial para transformar projetos em respostas efetivas.

O dirigente abordou igualmente os desafios que continuam a marcar a atividade das mutualidades, a revisão do Código das Associações Mutualistas, o aprofundamento da cooperação como o Estado na área da Saúde, e os últimos desenvolvimentos na justiça sobre a abertura de novas farmácias sociais que permita às associações mutualistas cumprirem um dos seus fins fundamentais que é a assistência medicamentosa

Por sua vez, Ana Abrunhosa destacou a importância da proximidade às comunidades e da articulação entre as associações mutualistas, os municípios e os restantes agentes locais. A presidente da Câmara Municipal de Coimbra considerou que a longevidade do mutualismo constitui um património de grande responsabilidade, que exige capacidade de adaptação às novas necessidades sociais.

«O mutualismo, para continuar a ter sentido, tem de saber acompanhar o seu tempo», afirmou, defendendo que a inovação deve permitir encontrar novas formas de concretizar os princípios fundadores do movimento.

António Martins de Oliveira destacou a importância de ultrapassar uma lógica de atuação isolada e de aproveitar as vantagens do trabalho em rede. Defendeu a partilha de conhecimento, recursos e competências, apontando a habitação, a saúde e a criação de respostas conjuntas como áreas com potencial para aprofundar a cooperação entre mutualidades.

«Não podemos permitir que as nossas instituições se fechem em si próprias. Temos que partilhar conhecimento, recursos e competências e encontrar soluções comuns para problemas comuns», afirmou.

Projetos que inspiram novas respostas

O programa prosseguiu com o painel «Investir para Transformar: Projetos que Inspiram o Mutualismo», moderado por Telma Dinis, presidente do Conselho de Administração da Associação de Socorros Mútuos Benaventense.

Augusto Abreu, presidente do Conselho de Administração da Associação Familiar Vimaranense; Mário Joel Santos Leite, dirigente da Associação Mutualista de Arcozelo; Carla Borges, coordenadora da creche da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança; e Filipa Cachapa, presidente da Mesa da Assembleia Geral e socióloga do Legado do Operário de Évora, apresentaram iniciativas que refletem diferentes formas de investir, diversificar atividades e reforçar a ligação às comunidades.

Entre os projetos partilhados estiveram a criação de uma creche pela Associação Familiar Vimaranense, a modernização e expansão dos serviços de saúde da Associação Mutualista de Arcozelo, uma nova resposta de creche com horário alargado na Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança e o Atelier do Pátio, dinamizado pelo Legado do Operário, de Évora, através de atividades artísticas e educativas que aproximam crianças, famílias e comunidade dos valores mutualistas.

As experiências demonstraram que a inovação não se limita à introdução de tecnologia ou à criação de novos serviços. Pode também traduzir-se na identificação de necessidades pouco respondidas, na mobilização dos associados e na construção de respostas que promovam a inclusão, a autonomia e a participação comunitária.

A sustentabilidade foi outra das dimensões em debate. Os participantes salientaram a importância de planear os investimentos, avaliar os recursos disponíveis, conhecer as necessidades de cada território e assegurar que os novos projetos contribuem para a continuidade da missão mutualista.

Esta ação foi desenvolvida no âmbito do projeto de capacitação institucional da União das Mutualidades Portuguesas “Mutualismo em Ação”, cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Pessoas 2030 | Portugal 2030, contribuindo para o reforço e valorização do setor mutualista.

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