Quatro projetos mostram como o mutualismo pode inovar e responder a novas necessidades

Da infância à saúde e à educação artística, as experiências apresentadas no XV ENDM evidenciaram diferentes caminhos para diversificar respostas, reforçar a sustentabilidade e aproximar as associações das comunidades.

A criação de novas respostas sociais, a modernização dos serviços de saúde e a utilização da arte como instrumento de participação e aprendizagem foram algumas das experiências partilhadas no painel «Investir para Transformar: Projetos que Inspiram o Mutualismo», integrado no XV Encontro Nacional de Dirigentes Mutualistas, promovido pela União das Mutualidades Portuguesas, em Coimbra.

Moderado por Telma Dinis, presidente do Conselho de Administração da Associação de Socorros Mútuos Benaventense, o painel reuniu Augusto Abreu, presidente do Conselho de Administração da Associação Familiar Vimaranense; Mário Joel Santos Leite, dirigente da Associação Mutualista de Arcozelo; Carla Borges, coordenadora da creche da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança; e Filipa Cachapa, presidente da Mesa da Assembleia Geral e socióloga do Legado do Operário, de Évora.

Os quatro projetos apresentados evidenciaram diferentes formas de identificar necessidades locais, mobilizar recursos e encontrar respostas que reforcem a relevância social das instituições mutualistas.

Associação Familiar Vimaranense: uma nova creche para apoiar as famílias

Augusto Abreu apresentou o projeto de criação de uma creche numa antiga escola desativada, identificada durante a procura de instalações para desenvolver novas respostas sociais.

A iniciativa nasceu da necessidade de diversificar a atividade da Associação Familiar Vimaranense e reduzir a dependência das respostas tradicionais, num contexto de alterações na composição da massa associativa e de desafios à sustentabilidade de algumas valências.

O projeto prevê a adaptação do edifício da antiga escola primária do Muro para acolher crianças desde o berçário até à idade pré-escolar, com uma capacidade global prevista de 72 crianças. A resposta pretende servir uma freguesia em crescimento habitacional, onde a procura por soluções de apoio à infância constitui uma oportunidade de intervenção social.

A associação encontra-se a desenvolver e a apresentar na Câmara Municipal, os projetos de requalificação do edifício e de preparação da candidatura ao financiamento necessário, com o objetivo de concretizar o investimento. A iniciativa representa também uma aposta na criação de emprego e no apoio às famílias, alargando a presença da instituição na comunidade.

Associação Mutualista de Arcozelo: modernizar e ampliar os serviços de saúde

Mário Joel Santos Leite apresentou o percurso de modernização da Associação Mutualista de Arcozelo, com particular destaque para a reorganização da sua imagem e para o crescimento dos serviços clínicos.

A instituição passou a comunicar os seus serviços através da marca Mutual Clinic, acompanhada por uma imagem renovada e por uma maior aposta na divulgação. A mudança foi articulada com a expansão das instalações, procurando responder a uma procura crescente e proporcionar melhores condições de atendimento.

A associação disponibiliza consultas de clínica geral e de diversas especialidades, mantendo como preocupação a acessibilidade dos cuidados de saúde. O dirigente destacou a importância de conciliar essa missão com a sustentabilidade financeira, num contexto de custos elevados e de dificuldades na contratação de profissionais de saúde.

O crescimento da procura tem colocado novos desafios à capacidade instalada, levando a instituição a estudar soluções para ampliar os espaços e continuar a desenvolver a atividade clínica. Entre as perspetivas de futuro está também um projeto de residência sénior, ainda em fase de preparação.

A experiência apresentada mostrou como a modernização da imagem, a melhoria da experiência dos utentes e o investimento nas infraestruturas podem contribuir para reforçar a capacidade de resposta de uma associação mutualista.

Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança: reforçar a resposta à primeira infância

Carla Borges apresentou o projeto de criação de uma nova creche na Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança, desenvolvido para responder à escassez de vagas para crianças na região e com horário alargado.

A iniciativa permitiu reconverter um espaço do edifício-sede da instituição, através de um investimento apoiado por fundos destinados à requalificação e ao desenvolvimento de respostas sociais. As obras encontram-se concluídas, decorrendo os procedimentos finais necessários ao início da atividade.

A creche foi concebida para acolher até 42 crianças, distribuídas por berçário e salas para diferentes faixas etárias. A associação pretende disponibilizar uma resposta ajustada às necessidades das famílias, incluindo situações em que os horários de trabalho dificultam a conciliação entre a vida profissional e familiar.

O projeto traduz uma aposta na primeira infância, área em que a instituição identificou necessidades concretas da comunidade. A experiência demonstrou também a importância de conhecer o território e aproveitar oportunidades de investimento para transformar espaços disponíveis em respostas sociais efetivas.

Legado do Operário, de Évora: a arte como experiência de mutualismo

Filipa Cachapa apresentou o Atelier do Pátio, projeto do Legado do Operário de Évoraque utiliza a expressão artística para promover a criatividade, a entreajuda e o sentido de comunidade entre crianças, jovens e adultos.

A iniciativa nasceu de uma proposta dos próprios associados, que recuperaram e dinamizaram um espaço disponibilizado pela instituição. O projeto desenvolve atividades artísticas e educativas, incluindo atividades extracurriculares, programas durante as interrupções letivas e propostas destinadas a adultos.

Para além da aprendizagem artística, o Atelier do Pátio procura transmitir os valores mutualistas através da experiência quotidiana: a partilha de materiais e conhecimentos, o trabalho coletivo e o reconhecimento de que cada contributo é importante para o resultado comum.

As exposições anuais dão visibilidade aos trabalhos realizados, sendo as receitas das obras vendidas reinvestidas no próprio projeto, nomeadamente em materiais e equipamentos. A iniciativa contribui também para aproximar as famílias da associação e para dar a conhecer, de forma prática, os princípios do mutualismo.

A experiência evidencia como a cultura e a educação podem constituir instrumentos de participação, inclusão e aproximação de novas gerações ao movimento mutualista.

Apesar das diferenças entre as iniciativas, os quatro projetos partilham uma preocupação: encontrar respostas para necessidades concretas sem perder de vista a sustentabilidade das instituições e a sua missão mutualista.

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