Um novo relatório do Observatório de Desafios Sociais, do Centro de Psicologia da Universidade do Porto, divulgado recentemente, revela que 75,2% dos portugueses conseguiram poupar dinheiro em 2024, ainda que mais de metade (55,5%) considere essa tarefa “muito difícil” ou “difícil”. Além disso, quase metade dos inquiridos não estão otimistas em relação à economia nacional para este ano, apesar de mais de 44% pretender poupar ainda mais em 2025.
Este relatório revela ainda que 54,4 por cento dos portugueses admite gastar menos do que aquilo que ganha e que uma percentagem elevada dos consumidores, na ordem dos 76 por cento, já tem o hábito de elaborar uma lista de compras. Ainda assim mais de 31 por cento dos inquiridos já fez compras por impulso.
Esses números dizem muito sobre a realidade portuguesa: há vontade de criar reservas financeiras, mas a dificuldade sentida é bem real. E é precisamente nesse contexto que o Movimento Mutualista – um movimento social com mais de oito séculos de história – mostra como a poupança pode ir muito além de simplesmente acumular dinheiro em contas bancárias.
Por que algumas poupanças “pequenas”
fazem uma grande diferença mutualista
As mutualidades portuguesas são associações sem fins lucrativos que funcionam com base na solidariedade, na reciprocidade e na participação democrática. Os associados contribuem regularmente (com quotas) para um fundo comum que é usado para garantir proteção social – em saúde, reformas, invalidez, morte – e também para apoiar respostas sociais, como creches, serviços de apoio domiciliário e lares.
Isto significa que mesmo contribuições relativamente pequenas podem gerar valor coletivo: uma parte vai para a proteção social imediata ou futura (por exemplo, seguro de saúde, pensões), outra parte é reinvestida nos próprios projetos sociais das associações mutualistas, que podem ser novas creches, jardins-de-infância, centros de dia, lares ou outras respostas sociais.
O que torna estas instituições especialmente poderosas é que os benefícios financeiros da sua atividade não são distribuídos como lucro entre investidores: são reinvestidos para melhorar as respostas sociais para todos os associados. É uma lógica de “ganhar para pertencer”, de construir resiliência comunitária.
O relatório do Observatório de Desafios Sociais, do Centro de Psicologia da Universidade do Porto, mostra que a maioria dos portugueses quer poupar, mas enfrenta dificuldades – e teme o futuro económico. O Movimento Mutualista, com a sua experiência secular e estrutura de solidariedade, oferece uma solução concreta: não apenas para acumular poupança, mas para proteger-se, contribuir para o bem comum e construir respostas sociais.
Assim, subscrever uma solução mutualista com alguns euros (dois, três, dez, vinte ou mais) pode ser um dos atos financeiros mais significativos de um cidadão – porque gera segurança pessoal e reforça a rede comunitária que beneficia todos os associados.




