O retrato do mutualismo e os caminhos a desbravar no futuro

O Estudo de Caracterização do Movimento Mutualista em Portugal, realizado pelo ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, que foi apresentado, este sábado, 29 de janeiro, na IV Reunião Anual de Presidentes Mutualistas, na Mealhada, faz um retrato das mutualidades, estima o seu impacto na economia e na sociedade, e aponta os caminhos para o desenvolvimento do mutualismo.

388 milhões é o Valor Acrescentado Bruto que o mutualismo representa na economia, emprega 5.327 trabalhadores e proporciona diferentes respostas de previdência social, saúde, proteção social, entre outras, a 1.084.363 associados.

A equipa de investigação do ISCTE, coordenada por Luís Capucha, regista as principais debilidades do setor, definindo os principais desafios. A falta de dimensão do mutualismo como movimento associativo, a existência de um número muito significativo de instituições com baixo nível de atividade e com estruturas de gestão deficitárias, as dificuldades no rejuvenescimento e diversificação do perfil dos associados, a falta de visibilidade e a menor competitividade das ofertas mutualistas face à concorrência agressiva do setor privado são algumas das questões suscitadas.

No outro prato da balança, são colocados pontos fortes, como a história do Movimento, a capacidade instalada e dinâmica associativa, a participação nos órgãos de coordenação estratégica nacionais e internacionais e a oportunidade que constitui a crescente necessidade de ofertas de previdência e saúde complementares.

É nos caminhos a seguir rumo ao desenvolvimento do mutualismo que os dirigentes se concentram. A esse nível, o estudo sugere quatro prioridades de intervenção: o crescimento estratégico do movimento mutualista, a ampliação das valências e alargamento da rede de ofertas mutualistas, os modelos e práticas de gestão e administração das associações e a imagem e divulgação do setor.

No que concerne ao crescimento estratégico, sublinha-se, entre outros aspetos, a necessidade de um plano de revitalização das associações inativas ou com escassa atividade, o rejuvenescimento e diversificação dos associados e o investimento em modalidades de previdência coletiva.

No sentido da ampliação das valências, o estudo recomenda uma maior diversificação das ofertas mutualistas (na área da saúde, pensões complementares e modalidades de proteção social voluntária, seguros, respostas sociais), trabalho em rede entre associações e com outras instituições e a revisão do regime jurídico para as mutualidades.

Sobre a gestão, os investigadores sugerem, entre outras medidas, a definição de um plano de capacitação das estruturas dirigentes e profissionais das mutualidades e o desenvolvimento de iniciativas para a contratação de jovens para os quadros de gestão das instituições e a modernização dos instrumentos de gestão.

No quarto eixo de prioridades, o caminho aponta no sentido de uma aposta no marketing social, na realização de estudos nas várias áreas de intervenção do mutualismo e a priorização da juventude nas iniciativas de promoção da visibilidade do Movimento.

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