O Legado do Caixeiro Alentejano celebrou, esta quinta-feira, 15 de outubro, 100 anos de atividade, numa comemoração que evocou os fundadores da instituição e destacou o seu papel social na comunidade de Évora. O presidente da Câmara Municipal, Carlos Zorrinho, participou numa romagem ao Cemitério dos Remédios, enquanto o presidente da União das Mutualidades Portuguesas (UMP), Luís Alberto Silva, marcou presença na sessão comemorativa realizada na Quinta dos Apóstolos.
Fundado em 1926 por José Maria Correia e outros promotores, o Legado nasceu para assegurar proteção social aos empregados do comércio. Um século depois, a instituição alargou a sua intervenção a diferentes gerações, mantendo a entreajuda e a solidariedade como princípios orientadores da sua atividade.
A romagem ao Cemitério dos Remédios constituiu um momento de homenagem ao fundador e de evocação da memória daqueles que contribuíram para o percurso da associação. A participação do presidente da Câmara Municipal de Évora associou o poder local às comemorações de uma instituição com uma presença histórica na vida social do concelho.
Respostas sociais para diferentes gerações
Com cerca de 1900 associados, o Legado dispõe atualmente de respostas que incluem modalidades de previdência social, estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI), Centro de Dia, Serviço de Apoio Domiciliário, creche, jardim de infância e residências para estudantes. Segundo os dados apresentados pelo presidente da UMP, a sua intervenção chega, direta e indiretamente, a mais de 5000 pessoas, envolvendo cerca de meia centena de trabalhadores e colaboradores.
Na sessão comemorativa, Luís Alberto Silva destacou a capacidade da instituição para transformar o espírito de entreajuda numa resposta concreta às necessidades da população. “Celebrar 100 anos de uma instituição mutualista é celebrar 100 anos de pessoas que acreditaram que juntos podiam fazer mais pelos outros”, afirmou.
O presidente da UMP alertou, contudo, para os desafios que condicionam a atividade das instituições sociais, nomeadamente a sustentabilidade financeira e organizacional, a dificuldade em atrair e reter trabalhadores e a necessidade de inovar para responder às novas necessidades. Estes constrangimentos assumem particular relevância nos territórios do interior, onde os desafios demográficos agravam as dificuldades de recrutamento.
Dirigindo-se aos responsáveis do Legado, deixou uma mensagem sobre a responsabilidade de assegurar a continuidade da instituição: “Um legado não é uma peça de porcelana que se guarda numa vitrina. Um legado é uma responsabilidade.”
Luís Alberto Silva defendeu ainda que a sustentabilidade destas organizações exige o envolvimento das forças vivas locais, das empresas, das instituições e dos poderes públicos. Apoiar o Legado, sublinhou, significa contribuir para a continuidade de respostas dirigidas às crianças, às pessoas idosas, às famílias e aos estudantes.
Ao assinalar o centenário, a UMP felicitou os associados, dirigentes, trabalhadores e todos os que contribuíram para o percurso do Legado do Caixeiro Alentejano, destacando a importância de preservar o património mutualista e criar condições para que a instituição continue a responder às necessidades da comunidade.




